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» Patrimônio Histórico


A Igreja de Santana do Sacramento

Jorge Belfort Mattos Jr.

Em 1778, Dr. José Carlos Pereira em diligência à Chapada dos Guimarães achou a capela situada na Aldeia Velha uma "palhoça, na verdade indecentíssima". Nela se celebravam os ofícios divinos e era a Igreja Matriz daqui. Com o fervoroso desejo de construir uma grande igreja, começou angariar fundos em Cuiabá para construção um novo prédio .Foi utilizada a mão de obra indígena para socar as paredes que nesta região são de terra pilada. Na última oitava da Páscoa de 1779, retiraram a madeira suficiente para a construção de uma Igreja coberta de telhas , rebocada e caiada com capela-mor e sacristia, possuindo ainda a casa dos Párocos pegado a mesma Igreja. Em Julho, a famosa Igreja foi concluída, o Vigário da Vara, José Corrêa Leitão no dia de Santo Inácio de Loyola celebrou a solenidade do ritual romano na qual benzeu a nova Igreja. Foi transladado sob festas as imagens de Santana, Santo Inácio de Loyola e São Francisco Xavier da antiga Capela da Aldeia Velha para a nova Igreja meia légua mais para o sudeste da original. O evento contou também com uma "excelente cavalhada". Neste momento de euforia conquistadora na cidade, as fazendas produtoras estavam em ascensão em volta da vila. A população indígena concentrada na missão Jesuíta, se encontrava civilizada e fazendo parte do novo modo de produção. Muros de pedra canga eram comuns nesta época, cercando as propriedades.

As chuvas do fim do ano destruíram a frente da Igreja. Novamente, Doutor José Carlos Pereira reuniu o suficiente para a reconstrução, mas desta vez não seria com taipa pilada e sim com Pedra Canga (Tapanhuacanga). Ampliou-se o edifício, levantando duas torres na fachada ,acrescentando vinte palmos para a frente e fazendo corredores ao lado da nave. Pôr dentro forrou com tábuas pôr cima e pôr baixo. Construiu três retábulos e três ordens de grades, uma para cada arco da Capela-mor, para o Cruzeiro da Igreja e para o Coro. Fez-se ainda os confessionários e guarda pó, porque a Igreja tem frente para o vento forte do norte. (Veja planta original).

Em 1783 ruiu a parte dos fundos da Igreja. A parede que ficava o retábulo sofreu muito com uma friagem. Mas o novo Juiz de Fora; Senhor Antônio Rodrigues Gaioso, conseguiu as esmolas para o novo conserto, construindo assim uma parede mais resistente, puxando um telhado para formar outro cômodos para proteger a parede principal da ação das chuvas do sul. O projeto da Igreja de origem portuguesa e encontrava-se na "Casa da Ínsua" em Portugal, e foi destruído pôr um terrível incêndio que assolou a casa nobre do Governador da Capitania de Mato Grosso; Senhor Luís de Albuquerqe Mello Pereira e Cáceres, mas existem reproduções arquivadas no Brasil.A Igreja de Santana sempre foi elogiadíssima pêlos viajantes como a mais bonita de Mato Grosso possuindo um rococó primitivo encantador, "É o único e autêntico resíduo barroco existente em Mato Grosso" como diria o especialista em arte barroca Senhor Etzel, numa viagem à Chapada. Conta uma lenda que depois que a nova imagem de Santana chegou de Portugal, trocaram pela velha, e esta, quando estava sendo levada para Cuiabá e conforme as pessoas iam se distanciando da cidade, a antiga imagem mais ela se tornava pesada, de tal modo que não conseguindo avançar os carregadores cansados pernoitaram numa pequena caverna na descida da serra. E quando a trouxeram de volta quanto mais perto estava da Igreja mais leve ela ficava. Com a vinda dos Franciscanos; Frei Oswaldo e Dom Wunibaldo foi criado um Hospital na nova Igreja. Com a utilização de plantas medicinais e radiestesia para curar. O valioso trabalho desses Franciscanos atraía muitas pessoas de toda parte para curarem-se na Igreja de Santana.
Praça Bispo Dom Wunibaldo

A Praça Dom Wunibaldo localiza-se no largo da Igreja da Sé de Sant’Ana, em cujo entorno a cidade se expandiu.

Em 1875 o engenheiro Calaça esteve em Chapada e realizou um levantamento para a construção de uma ferrovia ligando Cuiabá à "Lagoinha de Cima" em Chapada. Nesta ocasião, descreveu-a como uma "pitoresca vila" assentada num dos pontos mais salubres e belos da região cortada pelo córrego permanente da Prainha, cujo ponto negativo consistia na qualidade da água, "um tanto descalcificada". O povoado consistia "em duas ruas principais, a de Cima e a de Baixo, com o grande largo da igreja ao centro, e algumas travessas, que são trilhos ligando às duas artérias".

Na época da construção da Igreja de Sant’Ana com suas espessas paredes de taipa de pilão, cuja matéria-prima foi retirada da área da praça, propiciando um enorme buraco que, durante mais de um século, foi uma lagoa cercada de mata que servia à pastagem de animais domésticos.

Por volta de 1953 o subprefeito de Cuiabá, Cipriano Curvo foi nomeado prefeito de Chapada. Durante sua gestão, deu início à obra de aterramento da praça, concluída por Adalberto Sampaio, o primeiro prefeito da Chapada já desmembrada de Cuiabá. Durante a gestão de Apolônio Bouret de Melo foi feita uma cerca de arame com cancelas em todos os lados, cujo intuito era de conter o gado e outros animais dos currais do entorno, impedindo-os de continuarem a freqüentar a praça destinada ao uso, apenas, dos cidadãos.

Atualmente, a praça é utilizada como feira de arte e artesanato produzidos na cidade e nas fazendas e chácaras distribuídas na área do município, além de doces, queijos e raízes da mesma origem.

Localização: atrás da Pousada “Solar do Inglês”

Construir muros para delimitar o espaço destinado às Missões Jesuíticas era um hábito típico que caracterizava a técnica da catequização indígena, considerando-se as possibilidades de defesas diante de ataques indígenas.

Conforme Belfort (1983)

“A população indígena oriunda da missão se encontrava civilizada e fazendo parte do novo modo de produção; muros de pedra canga foram construídos cercando as propriedades em torno da vila,pois freqüentemente foram as incur­sões dos Bororos e Caiapós que confederados impunham uma resis­tência local,a invasão de suas antigas terras e a manipulação de seus povos pelo elemento invasor”.

Contornando-se a Pousada “Solar do Inglês”, seguindo-se por uma ruazinha de chão batido, esta é interrompida por um destes muros, de pedras cangas, escondido sob o arbusto. Este muro traz, para o presente, o modo de vida jesuítico imposto ao índio: vestígios da Vila de Sant’Ana e da História de Mato Grosso do século XVIII deixada pelos jesuítas em Chapada dos Guimarães.

Há flores no sopé do muro, mas, no local há, também, lixo urbano e restos de construção e de vegetação extraída dos quintais.

Para a exploração turística do muro, após a limpeza, seria interessante colocar troncos de madeira para que se possa sentar enquanto se aprecia a encosta da serra que despenca em direção à Bica das Moças.

Rua Ernesto de Melo

Localizado a pouco mais de uma centena de metros da praça central da cidade, as piscinas públicas são dois tanques, construídos em alvenaria, que captam as águas do Córrego da Prainha, cuja nascente localiza-se a montante das piscinas, no Bosque da Quinera, cortado pela Rua Ernesto de Melo.

A despeito das informações indicarem que o local possui relevância ambiental e social, este se encontra em péssimo estado de conservação, observando-se a existência de lixo em suas proximidades, falta iluminação e controle sanitário – visto que não há portaria e é comum o banho de animais. De acordo com informações colhidas aleatoriamente, o lugar não possui segurança e serve como fumódromo[1] . No momento da coleta de dados, observou-se um grupo de pessoas que faziam churrasco sob as árvores.

Para sua utilização dentro de uma programação voltada para o atendimento ao turista, torna-se necessário montar uma estrutura de urbanização na área de entorno direto da piscina e a formatação de trilhas interpretativas no entorno indireto. O bosque, a montante da piscina poderia ser alvo de medidas protetoras, visto que há sinais de assoreamento do córrego e lixo urbano sob a ponte.

Largo da Piedade – Rua Vereador José de Souza.

O Cemitério Público é o local de sepultamento oficial de Chapada dos Guimarães, sem distinção de estratigrafia social ou econômica. Ali estão sepultadas as famílias tradicionais de Chapada dos Guimarães, o pintor André Miranda; o jornalista Malik; a ex-Miss Brasil Tereza Amaral, que residiu naquele município durante os últimos vinte anos de sua vida.

É formado por uma parte mais antiga localizada na área frontal; e outra mais recente, nos fundos, dada a necessidade de ampliação do espaço. A parte velha tem uma peculiaridade: é dividida entre o cemitério das crianças e dos adultos. A parte nova já não tem nenhuma distinção.

O local atrai a atenção de quem passa pela construção de seus muros em pedra canga. Datado dos anos 70 do século XX, sobre o muro foi inserida uma linha de pedras retangulares dispostas obliquamente.

O lugar é mesclado por sepulturas com acabamentos em pedra e cerâmica além de outras covas rasas.

O estado de conservação, de modo geral, não é bom, visto que em meio as edificações melhores conservadas, encontram-se outras em mau e péssimo estado. Não há padrão estético dentro dos muros e o aproveitamento turístico pode se restringir ao que é visto durante a passagem em veículo.

Trata-se de um casa antiga onde estão reunidos acervos de diversos segmentos patrimoniais que possuem significado para o cidadão chapadense.

A arquitetura dos casarios de Chapada dos Guimarães pode ser apreciada nas casas mais antigas que venceram o tempo e estão distribuídas pela cidade. Algumas ainda conservam sua forma original, de cumeeira (ou capelo) sempre deslocada para a frente da casa, proporcionando uma construção assimétrica. A frente se projeta em um pé direito bem alto, enquanto que a cozinha, localizada na parte posterior da casa, ao seguir a linha da construção, diminui sua altura de acordo com o comprimento da casa.

O alicerce, geralmente, de pedra canga suportava a construção das paredes de adobe sobre as quais, muitas vezes era encimada por uma estrutura de madeira para a armação da cobertura com esteios fincados no chão, em geral, de aroeira. A armação de madeira roliça recebia a cobertura de telhas de barro – que conforme o conhecimento popular, por vezes eram moldadas nas coxas dos escravos – ou cobertas de palha de buriti ou aguaçu.

Para o piso, era utilizado a terra de "cupinzeiro", as mesanelas (espécie de tijolo quadrado) ou, as mais modernas, os ladrilhos hidráulicos feitos de cimento, que poderia variar suas cores entre o vermelho, o preto ou o amarelo.

As janelas e portas com beiral de grossos troncos aparelhados com janelas e portas lisas que se fechavam com trancas de travessões por dentro da edificação.

A estrutura de saneamento básico consistia em uma dependência externa provida de uma fossa negra utilizada para a atender a necessidade de acondicionamento de excrementos, amplamente conhecida como “casinha”.

O mobiliário era rústico e funcional desprovido de ornamentos. O uso de redes era tradicional e a iluminação era obtida por meio de lamparinas a querosene ou lampiões em algumas casas. Essa simplicidade, no entanto, não significava pobreza e a fartura de sua alimentação bem o atesta.

O Estádio é uma construção recente, erigida durante a gestão anterior do atual prefeito municipal Sr. Pedro Reindel cujo objetivo é o de atender à comunidade local e está localizado no caminho à Bambuzeria.

Trata-se de um campo de futebol em que a parte interior das arquibancadas foi construída em alvenaria e suas estruturas externas foram feitas em pedra canga (laterita) proporcionando um canteiro inclinado onde foi plantado grama. A arquitetura foi inspirada no estilo característico de Chapada dos Guimarães, isto é, lembram as casas de duas águas. A junção do estilo e da matéria-prima atribui significado ao local, pois, ao fazê-lo, valoriza-se a História Regional assim como a natureza, dada a grande quantidade de laterita presente nesta região.

Rua dos Abacates, 796 – Bairro São Sebastião

Atendimento: segunda a sexta-feira – 8:00 as 12:00 e 14:00 a 18:00

Fone: (065) 301-2747

Recepção: Líder da Associação de Moradores ou Assistente Social.

Trata-se de uma iniciativa da Associação de Moradores do Bairro São Sebastião aliada ao SEBRAE/MT, Comunidade Ativa-DLIS , cujo objetivo é a reciclagem de resíduos urbanos – garrafas plásticas e sacos de cimento – e a confecção de brinquedos, objetos e decoração fabricados com bambu (Bambusa vulgaris) e junco (Juncus).

Embora o bambu seja utilizado para a montagem de móveis como cadeira e divã, a principal atividade do empreendimento está voltada para a fabricação de brinquedos, oferecidos em embalagem produzida pelo próprio empreendimento.

O rejeito de cana é transformado em fibras trituradas e adicionado aos sacos de cimento – também triturados – fornecendo a matéria-prima para a construção de caixas coloridas ou naturais de papel reciclado para embalar produtos desenvolvidos na Bambuzeria ou para comercialização.

As garrafas são cortadas no sentido horizontal para formar elos de correntes e seus fundos são flores unidas por fios para serem transformadas em cortinas.

Entre o material produzido no local, até o momento, apenas as embalagens e brinquedos de bambu estão disponíveis para o comércio. O restante (móveis e cortinas), ainda passa por ajustes de controle de qualidade e brevemente estarão à disposição do consumidor.

O preço: varia entre R$ 0,50 (cinqüenta centavos) e R$ 70,00 (setenta Reais).

MATEMÁTICA DA CHAPADA
+ 46 Sítios Arqueológicos;
+ 02 Sítios Paleontológicos;
+ 59 Nascentes;
+ 487 Cachoeiras;
+ 3.300 km² de Parque Nacional;
+ 2.518 km² de Área de Proteção Ambiental;
+ 02 Reservas Estaduais;
+ 02 Parques Municipais;
+ 02 Estradas Parque;
+ 157 km de Paredões;
+ 42 Imóveis Tombados pelo Iphan
+ 38 Espécies Endêmicas

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